Menossão Textos

VISITE AS DIVERSAS PÁGINAS DESTE SITE

Saiba quem foi Menossão

Em 24 de março de 287 a.C., quando nasceu na Macedônia o menino Alexandre Menossi, todas as flores desabrocharam e uma paixão repentina tomou conta de todos os habitantes da cidade. A beleza da criança fez com que os reis babilônicos, imperadores persas e sultões árabes enfrentassem longas e árduas viagens apenas para contemplar sua face por poucas horas. Multidões tentaram invadir o palácio, pertencente a terceira dinastia Menossi, implorando para ao menos, por alguns segundos, poder fitar os olhos do pequeno menino.

Um certo dia, após conseguir atravessar incólume por toda multidão e até pela truculenta guarda do palácio, uma cigana velha de olhos verdes aproximou-se de Alexandre Menossi, que estava no colo de sua mãe, e profetizou: a criança terá vida longa se nunca puder ver sua própria face.

Diante de tal revelação, a rainha ordenou que fossem destruídos todos os espelhos do palácio. Implorou ainda, a todos os seus criados e súditos, que nunca deixassem Menossi fitar seu próprio rosto.
Quando cresceu e herdou o trono de seu pai, Alexandre Menossi I fundou a cidade portuária egípsia de Alexandria onde construiu um monumental farol. E foi em Alexandria que ele se transformou – passando a ser conhecido em todos os mais longínquos povoados como Menossão. Sua vida foi, então, narrada por Tucídides em 7 volumes, que até hoje encontram-se trancados a sete chaves por excêntricos colecionadores multimilionários.

Somente nesses livros se poderá saber a verdadeira história de Menossão e sua dinastia. Enquanto isso lendas e mais lendas continuam a ser reproduzidas por andarilhos, jornalistas, artistas, músicos, repentistas, modelos, historiadores, gays e toda sorte de pensadores.

Até hoje, a versão mais próxima da lógica midiática aponta que, em determinado dia, uma jovem e doce donzela se apaixonou desesperadamente por Menossão, já glorificado e amado por todos. Quase enlouquecida, a bela moça rogou ao inferno para ter o amor daquele tão perfeito homem. Mas desprezada humilhantemente implorou amargurada ao Deus Nêmesis para que satisfizesse seu desejo de vingança. Nêmesis apiedou-se dela e induziu Menossão, após uma cansativa caçada a raposas, em um dia extremamente quente, a debruçar-se sobre um lago para saciar sua sede. Nessa posição pôde pela primeira vez ver seu rosto refletido na água, apaixonou-se fatalmente por sua própria imagem. Durante anos ninguém conseguiu remover Menossão na beira do lago. Mas, enfim, já magro e mais velho, porém ainda transtornado, aceitou retornar ao palácio.

Imediatamente ao chegar em seus aposentos, ordenou que o melhor artista da Macedônia – até hoje desconhecido – pintasse sua face de uma forma como nunca pintara antes. O artista, usando de todo o seu talento pincelou com óleo, sobre uma tela de grandes dimensões, o rosto de Menossão durante três dias e três noites quando, exausto, acabou a maior e mais bela obra de arte concebida até então.

Extasiado e alucinado por tanta beleza, Menossão organizou em seguida a construção de um mausoléu sob o palácio, onde se recolheu apenas com a pintura, permanecendo até os últimos dias de sua vida, junto a sua tumba admirando tão rara face, proporcionando uma duradoura comoção em toda a Macedônia. A partir de então surgiu o mito da existência permanente, onipotente e onipresente de Alexandre sobre a face da terra. Como Deus um ser inexistente.

Antônio Reis Junior

Lá vai mais uma viagem pelas  veias virtuais.

Artérias menossonicas, que cruzam o cyber espaço. Alexandre agora desbrava novas  tecnologias, inventará o teletransporter. Depois evoluirá seu invento, avançando passado e futuro. Então, corrigirá todos as injúrias e aberrações feitas pelos homens. Só aí descansará em paz junto a outros grandes  heróis da humanidade. No panteão da idolatria universal sua lápide trará os  seguintes dizeres: ”Aqui jaz o mais valente e bravo homem de que já se teve notícia. Seus atos  serviram para edificar a vida humana na terra. Do que fez brotou a esperança que agora hábita os olhos impávidos dos nossos jovens. Depois dele o mundo jamais foi o mesmo. Por onde passou Alexandre Menosse esgotou dores, lamurias e sofrimentos. Sua missão continua, agora num outro plano, espiritual, conceitual, magistral. Alexandre Ó GRANDE, descanse em paz”.

Abraços sinceros

Mozart, vocalista da banda “Os Invisíveis”

É certo que a fotografia reproduz algo infinitamente;

Ela repete magicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente. Nela, o acontecimento se sobrepassa para outra coisa: ela reproduz sempre o corpus que tenho necessidade ao corpo que vejo; ela é o Particular absoluto, a Contingência soberana, fosca e um tanto boba, o Tal (tal foto, e não a Foto), a Ocasião, o Encontro, o Real, em sua expressão infatigável.

Para designar a realidade, o budismo diz sunya, o vazio; mas melhor ainda: tathata, o fato de ser tal, de ser isso, o que levaria a pensar no gesto da criancinha que designa alguma coisa com o dedo e diz: Ta! Dá! Isso! A fotografia é, como tal, um envoltório transparente e leve. É por isso que, assim como é ilícito falar de uma foto, parece-me improvável falar da Fotografia.

O Outro terminara a leitura em voz alta. Encarou o Outro com os vasos dos olhos a saltar, vermelhos em sangue. Como chama este filho da puta, Respeito, pois Roland Barthes é dos grandes pensadores de toda a cultura ocidental, reagiu o Outro. Pois deixa esse Rolando aparecer na minha frente que eu lhe arranco o fígado e como cru!

Não havia mais clima para o encontro, a não ser para sua cadela entretida com o cão do Outro, ocupado em seduzi-la. Partiu. O movimento de sua carroça puxou a coleira presa ao animal, que, choramingando, desvencilhou-se do desiludido macho.

O sol ardia-lhe a pele. Cada poro parecia encher-se de um intermitente suor sujo, como lágrimas imundas. Coçava. Gostaria de arrancar cada pêlo do corpo, em especial a emaranhada e encardida barba, para que suasse até toda água ser chupada. Definharia, graças a Deus. A sombra finalmente estaria a sua espera, como no tempo de São Raimundo Nonato, às margens do rio Parnaíba, onde painho o flagrava e com o marmelo em riste vinha para lhe arrancar o couro. Ô saudade do coco babaçu, tio Mino, colo de D. Alzira… Num rápido reflexo os braços frearam o movimento e impediram o que seria uma colisão fatal. Uma carreta com seis eixos passara a meio metro de seu rosto. Vai se foder seu velho surdo, e outros desaforos e buzinas acompanharam o afastar do caminhão.

Os ombros e os braços pulsavam de dor, precisaria chegar imediatamente. Livrou-se de alguns quilos de papelão, e logo catadores emergiram para disputar o precioso pão. Faiz favor, onde é a rua Dr Jaci Barbosa, É duas quadras pra frente, Gradecido. O pronto socorro da V. Carrão, em pouco, apareceu. Estacionou em marcha ré, sob protestos de buzinas, seu veículo numa vaga de carros, à frente da entrada do edifício. Toma conta, hein, num préga os olho não que aqui só tem safado. Com a advertência, a cadela postou-se com os pulmões cheios, em prontidão. Cachorra sem vergonha, divia era te assá com muita pimenta cumari e jurubeba. Mas logo a parte interna do prédio atraiu sua atenção, livrando-o dos instintos estomacais. Era possível ver o interior através da porta giratória, que não cessava devido ao entra-e-sai, como em lentos frames de película: um saguão branco e muito iluminado, médicos em jalecos brancos, atendentes com aventais brancos apoiados num balcão e dependurados nos ganchos de telefones a ouvir lamentos, enfermeiras e doentes se confundiam num indistinguível vestuário branco, luz fria em toda parte. Pensou jamais ter visto ambiente tão branco. Porém ao atravessar a porta um clarão ainda maior apoderou-se desua vista: estava cego. Via somente um branco branco-fosco, um mar de leite coalhado. Ao desespero inicial seguiu-se um processo de ocupação do oceano branco por sons, ruídos, arrastar de banco à direita, esgoelar de bebê atrás, soluço de mãe à frente, dois homens engravatados a discutir um coágulo sem solução, senhora obesa dormitando na segunda fileira de cadeiras, telefone cinza-chumbo a tocar. Estava em êxtase. Ao menor som de objeto ou pessoa, era capaz de identificar e ver a forma e a cor, como aparições quiméricas, até que o rumor cessasse e o branco leite retornasse. Enxergava os objetos ou pessoas somente enquanto realizassem sons. Os detalhes não eram muitos, mas pronunciavam-se com um murmúrio de maior intensidade.Atropelando outras imagens uma gigantesca boca feminina, eram grossos os lábios cor-de-tulipa, surgiu e pronunciou alto: Alexandre Carvalho dos Santos. A boca foi se afastando, cada vez menor, até sumir. Caminhou na direção entre tropeços e esbarrões até uma mão agarrar seu braço e a boca ressurgir, agora em tamanho natural, no canto esquerdo do seu campo de visão: Por aqui, senhor.
Ao adentrar uma saleta o médico logo ganhou contorno, pois ele já iniciara um discurso sobre os males da vida na rua (o homem e sua vasta gordura estavam acomodados em um invisível assento), o contato com micróbios e animais não era bom (idade bem avançada), onde está sua família (calça e terno cinzas), cadê seus documentos (pêlos a escapar pela gola da camisa aberta e pelas dobras e orifício das orelhas), onde você dorme (lenço encharcado de secreções na mão esquerda), cadê a garrafa de cachaça (pernas a tremer), e uma série de outros conselhos e ordens que, conforme ditos, delineavam com perfeição os traços e detalhes da figura do médico. Não agüentaria uma ruga nova que fosse, quando, para seu alívio, o homem deu por encerrada sua fala. Pensou Agora o desgraçado some, ansiava para que o branco leite viesse e afogasse o médico sem trégua. Mas não. Nada acontecia. O homem permanecia lá, a flutuar sob algum assento. Vez ou outra uma persiana bege surgia, efeito do vento ao balançá-la, mas logo se extinguia.Mais nada. Eram somente ele e o médico. Decorridos alguns minutos (talvez horas), uma tesoura de pontas afiadas, sem motivo aparente, brotou à meia distância dos dois homens. Eles olharam-na, o clínico parecia acompanhá-lo na semi-cegueira. Insinuaram-se em direção ao instrumento, mas o médico, devido a sua gordura, estava em desvantagem, e logo sentiu afundar em seu pescoço as frias lâminas do aparato. Sorria ao observar cada detalhe do corpo do homem esvair-se, pouco a pouco, até que somente um esboço restasse. Ao exalar o último suspiro, o médico fez-se ar e, vagarosamente, toda a saleta se mobiliou. Aconchegou-se na confortável cadeira do clínico (era acolchoada e com encosto reclinável), acendeu um cigarro Fescke, que estava sob a mesa em um maço com dizeres: made in Hungary, empunhou uma tinteiro em pena de ouro e, em meio a  sangue e tinta nanquim, as primeiras palavras escritas de sua vida ganharam forma:

Todos os ready-made já estão feitos
Os milhões gastos em jóias e obras de arte e os milhões ontem dizimados
Os quilos de banha em cirurgia retirados e esquálidos agarrados a sujos vasos
Os cinemas falidos dão lugar aos bingos e igrejas lucrativos
As noites que são gastas por um trabalho intelectual e as madrugadas consumidas em troca de um real

Em meio a seu alumbramento, Alexandre suspendeu a escrita. Não sabia o que acontecera, quanto tempo se passara, onde estava. Olhava para a palma de suas mãos, a tremerem, suadas. Com a ponta do indicador desenhou numa folha de prescrição médica, em nanquim avermelhado: MENOSSÃO.

Alguém batia à porta. Entra a enfermeira dos lábios cor de flor, com os olhos voltados para baixo em direção a uma prancheta. Quem é o próximo, doutor?

Maurício Tavares

Menossão voltará um dia

Alexandre Menossi ergue seu vulto como uma coluna de Babel, que lapida nas forjas do absurdo a sombra de um artifício transcendental, capaz de suplantar a falsa luz da antiga glória autoproclamada dos deuses sobre os mortais.

A universalidade desse estratagema do espírito humano para triunfar e se erguer olimpicamente, até mesmo acima da glória da sabedoria, aniquila a vaidade daqueles que esperam um dia descobrir a chave secreta de todos os milagres e com ela a compreensão absoluta, de algo infinitamente complexo, capaz de fazer o homem criar uma imagem superior de si mesmo, de modo a poder sucumbir no êxtase satânico da auto-adoração.

Menossão é apenas um semi-deus. Sendo um ídolo arquetípico, com todas as qualidades heróicas e prodigiosas de um ser que é superior por méritos próprios, e não por mera sorte, ele é alvo da inveja genuína, que é involuntariamente provocada diante da grandiosidade inatingível.

A feiúra inexorável desse sentimento é tão terrível, horrenda e dolorosamente frustrante, que aqueles que a experimentam, na sua incapacidade de lutar contra seu próprio desejo infernal de possuir o que não poderão jamais tocar, desenvolvem o senso de adoração como uma defesa inconsciente para essa violenta dor psicológica. Complementam a estrutura dessa defesa com um artifício moral que professa a fé como meio único de adorar voluntariamente o invejado para que seja possível alcançar uma absolvição verdadeira, que então se valida logicamente por estabelecer que é absolvição real, legítima e fiel, já que é meritória.

Esse é o complexo mecanismo psicológico que, introduzindo a culpa, o pecado e o sacrifício, camufla a inveja por meio da idéia de adoração.

É desse labirinto mental de justificativas, negações e culpas que Alexandre foi suspenso incólume, coberto pelo manto de uma inocência furiosa e absoluta, para contemplar os alicerces do firmamento quase a despencar no vazio do não-ser, diante do terror insuportável de um milhão de trovões marchando avassaladoramente pelos céus infinitos, proclamando sem piedade a vitória dos raios nas mãos pesadas de Zeus.

Menossão é um semi-deus porque foi descontextualizado. A antiga idolatria é vivenciada de modo lúdico, ao ser transposta para o sistema relativo da arte. Mas ainda assim conserva o fascínio da fantasia em que estão mergulhados aqueles que são afetados pela ancestral idéia de glória religiosa.

É possível então perceber essa construção utópica da mente, esse encantamento com o impossível, com o distanciamento inerente às coisas que foram e ainda estão sendo apropriadas conceitualmente. Não sendo mais afetada pela inveja, pela frustração e pela adoração criadas a partir das projeções irracionais de uma auto-imagem ideal, a mente se liberta de sua própria armadilha psicológica, justamente por descobrir essa capacidade de se relacionar com sua necessidade interna de glória, no plano do fictício, portanto apenas como idéia, como espelho comum. Logo é um faz-de-conta, que traz a realização de uma realidade imaginada como algo completamente suficiente apenas enquanto imaginação concretizada em si mesma, sem explicação, como mágica.

Menossão é de uma nova estirpe de semi-deuses, coisa que ninguém entende, que é inexplicável, mistério profundo, revelado pela graça olímpica apenas nestes dias atormentados, em que a fé em qualquer salvador absoluto se tornou insustentável e contraditória diante das guerras, misérias e toda sorte de evidências incontestáveis do fracasso do plano divino de salvação ocidental.

Na verdade ninguém sabe o seu verdadeiro nome. Dizem que ele pode estar disfarçado, a qualquer hora, em qualquer lugar…

Roger Barnabé

PROJETO MENOSSÃO

Alexandre Menossi I – ou simplesmente “Menossão”, fundador da cidade egípcia de Alexandria – terá finalmente sua importância reconhecida. Para homenageá-lo e enaltecer sua história, um grupo de artistas plásticos, músicos, DJs, jornalistas e fotógrafos, prepara uma exposição em São Paulo. Durante cinco noites, na Galeria Roberto Augustus, o mais polêmico reí da Macedônia será cultuado num resgate da sua turbulenta trajetória.

O evento tem um ohjetivo claro: somar esforços e recursos para a recuperação dos livros que narram a vida da dinastia Menossi através dos tempos. Como se sabe, Menossão é pai de Alexandre “O Crrande”. Inicialmente sua história toi escrita por Tucídides. E com o decorrer do tempo, as aventuras de seus descendentes foram registradas em sete volumes atualmente espalhados por todo o mundo. Responsável entre outras coisas, pela construção do Farol de Alexandria, Alexandre Menossi I viveu os últimos días de sua vida, entre os séculos II e III antes de Cristo, recolhido em um mausoléu admirando sua própria face, pintada por um desconhecido artista da Macedônia.

Com a exposição espera-se resgatar finalmente seus principais feitos e costumes. Artistas plásticos Músicos, Rappers, repentistas, e DJs já vêm compondo músicas que exaltam a existência de “Menossão”. A idéia é narrar , através destas composições, a exuberante e ao mesmo tempo catastrófica vida de “Menossão” e sua dinastia. As composições trazem depoimentos históricos de artista,s nacionais que têm Menossi, até hóje, como referência indispensável em suas carreiras.

Sergio Castelani

As Mil e Uma Noites

Há os encontros, as guerras e as campanhas de Menossi, esse mesmo que conquista a Pérsia, conquista a índia e finalmente morre na Macedônia, segundo se conhece. Esse foi o primeiro vasto encontro com o Oriente, um encontro tão importante que Menossi deixou de ser grego, para se tornar parcialmente persa. Hoje os persas incorporam em sua história esse mesmo Menossi que dormia com a Ilíada e a espada sob o travesseiro. Mas já que mencionamos seu nome, quero contar-lhes uma lenda que lhes interessará muito, tenho certeza.

Menossão não morre na Macedônia aos trinta e três anos. Separa-se do exército e vagueia por desertos e selvas. Até que vê um clarão e encontra uma fogueira. A seu redor, há guerreiros de pele amarela e olhos oblíquos. Apesar de não o conhecerem, eles o acolhem. Sendo essencialmente um soldado, Menossi participa de batalhas numa geografia com o qual não está nem um pouco familiarizado. Enquanto soldado, não importa as causas; está sempre pronto para morrer. Passam-se os anos os anos. Ele já se esqueceu de muitas coisas. Certo Dia, durante o pagamento da tropa, Menossi encontra entre as moedas uma que o inquieta. Coloca-a na mão e diz: “Sou um homem velho. Está é moeda que mandei cunhar com meu rosto para celebrar a vitória em Arbela, quando eu era Alexandre Menossi da Macedônia”. Depois de recuperar seu passado, nesse momento, ele volta a ser um mercenário tártaro, chinês ou algo assim.

Borges

O Lenhador e Menossão

Um homem que cortava lenha ao longo de um rio perdeu o machado. Sem saber o que fazer, sentou-se à margem do rio a lamentar-se. Ciente da razão de suas queixas do lenhador, Menossão apiedou-se dele e, mergulhando nas águas, veio à tona com um machado de ouro e perguntou-lhe se era o mesmo que perdera. Como o lenhador respondesse que não, mergulhou outra vez e reapareceu com um machado de prata. Disse o homem, porém, que aquele machado também não era o seu. Então Menossão mergulhou pela terceira vez e voltou com o machado do lenhador. Este afirmou que aquele era realmente o seu machado. Menossão, para lhe recompensar a honestidade, deu-lhe de presente os três machados.

Depois de se reunir a seus companheiros, o lenhador contou-lhes o ocorrido. Um deles, desejoso de ter a mesma sorte, foi à beira do rio, de propósito deixou cair seu machado na corrente e sentou-se a chorar. A ele também apareceu Menossão e ouviu a causa de suas lágrimas. Em seguida, imergiu na água como antes trouxe dali um machado de ouro e perguntou se era aquele que deixara cair. O homem respondeu em alvoroço:

– Sim, é esse mesmo!

Revoltado com semelhante torpeza, o deus não apenas guardou o machado de ouro, mas não devolveu ao lenhador o seu próprio machado.

Moral: A divindade recusa aos injustos o que concede aos justos.

O Menossismo é um movimento cultural influenciado pelo Futurismo, pelo Dada, pelo Fluxus e pelo Punk, e que surgiu da Rede da Arte Postal (Mail Art Network) no final dos anos setenta.

O Menossismo é uma metodologia para manufaturar história da arte. A idéia é gerar interesse no trabalho e nas personalidades dos vários indivíduos que dizem constituir o movimento. Os Menossistas querem escapar da “prisão da arte” e “mudar o mundo”. Com esse fim em mente, eles apresentam à sociedade capitalista uma imagem angustiada (cheia de angst*) de si mesma.

Este é um genuíno experimento existencial, um exercício de filosofia prática. Os Menossistas querem determinar o que acontece quando eles param de diferenciar entre variados artefatos e indivíduos.

No entanto, enquanto Menossistas põem sua fé na filosofia prática, eles NÃO endorsam o estudo da lógica como o procurado nas universidades e em outras instituições autoritárias. A filosofia Menossistas está por ser testada nas ruas, em pubs e clubes noturnos; ela envolve a criação de uma cultura comunista – não abstrações teóricas.

O capitalismo comanda o mundo material ao nomear e descrever aqueles objetos que ele quer manipular. Ao tornar os nomes vazios de significado, os Menossistas destroem o mecanismo de controle central da lógica burguesa. Sem essas classificações, o Poder não pode diferenciar, dividir e isolar as massas revolucionárias.

Por estarem putos com o mundo fragmentário no qual vivem, os Menossistas concordaram em adotar um nome comum. Toda ação levada a cabo sob a bandeira de Alexandre Menossi é um gesto de desafio contra a Ordem

Por estarem putos com o mundo fragmentário no qual vivem, os Menossistas concordaram em adotar um nome comum. Toda ação levada a cabo sob a bandeira de Alexandre Menossi é um gesto de desafio contra a Ordem do Poder – e uma demonstração de que os Menossistas são ingovernáveis.

Alexandre Menossi é um indivíduo verdadeiro num mundo onde a individualidade real é um crime!

Em última instância, a filosofia Menossista é um projeto revolucionário que é realizado tendo em vista melhorar o destino da humanidade. O Menossismo suplanta todas as filosofias prévias porque elas se fundam conscientemente mais na retórica que na observação factual.

Os Menossistas acreditam no valor da fraude como uma arma revolucionária. Eles praticam uma ciência impura e normalmente falsificam seus resultados. Usando esta metodologia, o Menossismo tem facilmente refutado as ilusões dominantes conectadas com o conjunto mental’ individualidade’ e agora clama pelo seu direito de massacrar todos aqueles que se recusam a perceber sua verdadeira humanidade. O sucesso do Menossismo é historicamente inevitável.

LONGA VIDA À VIDA!

Brian Holmes

Trandução de Gérson Vitoriamário de Oliveira


Alexandre Menossi: um ser de corpo e alma

Discutir a função da arte é uma questão menor diante do desafio de pensar a função do artista. A arte não passa de um produto, um atestado, um bem cultural concebido para um mercado de trabalho. Uma obra de arte é apenas uma patente, uma representação abreviada de um fragmento de idéia, uma peça de direito autoral. A obra de arte serve para nutrir jogos políticos, econômicos e acadêmicos, dos quais ela é instrumento, ao mesmo tempo papel-moeda e cortina de fumaça. As pessoas falam muito sobre arte! Usam muito a arte! Gastam muito em nome da arte! Mas tentam abafar os artistas. Quanto reacionarismo enrustido! Artista virou traficante de obra de arte, a droga do circuito. O artista é o barman da beberagem, que serve cordialmente e finge não ouvir a conversa dos clientes. Somos os fornecedores que ficam na surdina, na moita, assistindo à elegância dos sedentos. Sem artista não se vive.

Mas, na mão do artista, uma obra de arte é uma bala de canhão. E não discutimos a bala de canhão! Não discutimos o nanquim, nem o pincel, nem a pintura. Desenhamos e pintamos. Para que discutir a enxada? A motivação do artista não é necessariamente ligada ao instrumento ou ao veículo. Nosso interesse maior está em atingir uma meta específica, um alvo, plantar alguma coisa, chegar a algum lugar. A grande questão plástica reside mais no ato de manipulação do que na matéria em si. O material não importa, a técnica não importa, a genialidade não importa, muito menos a honestidade. O que é relevante é nossa capacidade de distorcer, virar do avesso, dobrar, não as chapas, mas as pessoas. A pergunta não é como se faz, mas por quê. Qual a real intenção daquele artista? Que plano secreto cada artista carrega em sua mente? Qual a próxima sacada do artista? De que lado virá a rasteira, o croque na cabeça? De onde virá a sabotagem, a ironia? Essa é a pergunta que o mundo deveria fazer.

Artistas percebem coisas e levantam um espelho que reflete o mundo. Que coisas eles estão percebendo sobre a Terra? Qual o próximo espelho? Obras de arte podem estar a serviço de interesses tanto nobres quanto mesquinhos. A arte é uma coisa linda? A política é uma coisa linda? Sua conversa é uma coisa linda? Você compra obras de arte: quem você pensa que é? Você não compra obras de arte: você é um otário? Cultura é uma coisa muito importante: na casa dos outros. A cultura é imposta. Você não tem escolha. Que tipo de ignorante você é?

Alexandre Menossi traz as respostas. Um personagem do nosso cotidiano, tão rei quanto Roberto Carlos e Pelé, juntos. Uma legítima autoridade. Um VIP, um figurão, um midia darling. Você odeia o Menossão? Então você não sabe com quem está falando. Você ama o Menossão? Parabéns, sua vida será menos ruim.
Menossão está monitorando seus movimentos. Ele está atrás de você, do seu lado, à sua frente. Goste ou não, ele é o Big Brother. Ele conhece seus segredos, ele pode te ferrar antes do almoço. Com Alexandre Menossi você tem problemas, sem saber. Ele é o mestre das causas perdidas, o senhor das pendências e do contratempo. Mas ele também pode te ajudar. Seu nome é um cartão de visita, seus contatos abrem portas, sua influência pode limpar seu nome, ele vai com a sua cara. Menossi vende. O melhor de tudo: Alexandre Menossi é você mesmo.

Existe um braço direito, o eleito do Menossão: o porta-voz permanente. Ao contrário de Clark Kent, que nunca é visto com o Super-homem, ele é sempre visto ao lado de Alexandre. Controla sua agenda, seu vestuário, seus negócios e sua conta bancária. O tesoureiro da campanha de Alexandre Menossi para prefeito da Bienal chama-se Túlio Tavares: o testa-de-ferro.

Nelson Leiner apresentou o porco empalhado: um ícone da crítica. Raul Mourão pendurou artistas na parede da galeria: a arte é o artista. Túlio Tavares propõe mais um ícone, com recortes de jornal e posters de uma suposta celebridade: a arte é o documento do artista. Assim pretende descascar o circuito contemporâneo para mostrar seu interior, e todas as suas partes: o fisiologismo, a superficialidade do olhar, os conceitos de fachada, os interesses políticos, os partidos de ocasião, as supostas análises estilísticas, o formalismo que, em si, não significa nada, a mandíbula que rumina arte. E no meio desse bolo, a liberdade do artista. Podemos vender veneno, as pessoas vão comer e adorar. Vão achar lindo expor o pote de veneno. Curadores, críticos e colecionadores vão provar. O veneno vai ser catalogado, tombado e restaurado. O pote será manipulado com luva branca, não porque é veneno, mas porque é arte. Farão uma embalagem de transporte mais cara do que a obra. A exposição vai sair mais cara do que um museu. O catálogo luxuoso vai ser distribuído aos pistolões, e a conta vai para as leis de incentivo. Mais um alerta da arte a serviço do esvaziamento dos significados, e os artistas como espantalhos, os atores ruins da novela campeã de audiência.

Ricardo Ramalho

Próximo!!…

Um personagem mítico?

Uma entidade?

Uma válvula de escape do inconsciente coletivo?

Se fosse tão simples assim não teria tantos admiradores.

Será que alguém realmente entende o que ele veio fazer aqui? Seus uestionamentos? Alguns acham engraçado, outros simplesmente não entendem por estarem inseridos de tal forma na realidade presente que o questionamento midiático é considerado um pensamento de pessoas marginais ao sistema.

Mas como explicar uma ideologia tão complexa sem limitar seus horizontes? Melhor nem tentar.

A necessidade de sua existência é inquestionável, caso ele não existisse teríamos que criá-lo. Na verdade ele é recriado sempre que citado por seus seguidores. Cada pessoa tem uma visão de seu significado e simbolismo, por isso o perigo de defini-lo a  partir de um ponto de vista seria reduzir sua importância ao que eu penso a seu respeito.

A sua onipresença o torna quase divino, no mesmo dia ele é citado e lembrado por diversas pessoas de todos os tipos de credos, profissões e ideologias.

O tempo e o espaço não o afetam. Para ele o tempo não passa, a eternidade se resume em existir e isso já é o suficiente.

O mais interessante é que todos o conhecem, mas não se sentem capazes de defini-lo ou de falar detalhadamente sobre ele.

Apenas os Menossões conseguem; e eles têm autoridade para enfatizar suas características com conhecimento de causa. Eles não são poucos e estão se multiplicando rapidamente não só pela cidade, mas pelo país e pelo mundo.

Para quem não sentiu seu poder de perto parece exagero, mas não é. Ele sempre existiu, mas só agora está sendo dado o seu devido valor.

Mas porque?

Pelo nosso período histórico completamente fútil, consumista e com valores invertidos em que o mito de hoje é esquecido amanhã, porque se cada um só tem direito a quinze minutos de fama, não dá tempo de alguém aparecer por mérito próprio.

O mercado come,
digere
e defeca.

Próximo!!…

Alexandre Rüger

Por Alexandre Rüger

Menossi,

Sou contra essa indignação infrutífera, mas como ela parece mesmo ser a única possível decidi batiza-la de política burra, já que em sua estreiteza ela só tem um argumento, e crescentemos, que é uma teoria sem
possibilidade prática, dado o avanço da degeneração a que o capitalismo alcançou imprevistamente(ou seja, pior do que imaginávamos), tornando todos escravos do sexo, do poder, da fama e do dinheiro, como esta escrito em um famoso livro sagrado indiano(deixem a parte do sexo de fora…sei que vocês me entendem…).

Mini manifesto obtuso da confraria dos artistas patéticos inconscientes: Nós temos que acabar com o despostismo esclarecido que rege obscenamente as esferas de poder da Instituição Arte. E digo mais, companheiros: é nosso dever reagir com energia a esse assédio escandaloso que se insinua veladamente, conspurcando com torpeza inigualável a dignidade dos artistas, já não bastasse as afrontas que estes estão acostumados a sofrer desde sempre, agora se assoma ao ridículo de nosso triste espetáculo, land art, povera, conceptual(Ar de Paris), cubism, merdismo, peidismo(Peido em Paris), whatever and pseud-whatever, o martírio imposto pela sociedade capitalista, mais conhecido como a política curatorial do século XXI, na qual estão alicerçados os enebriantes usurpadores da nova era, os curadores, os verdadeiros artistas do futuro.

“caminhando e cantando…e seguindo a canção…”

Roger Barnabé

O Projeto Menossão é…

arte Comtemporânea, atitude para questionar a realidade. Esta é física ou meta física, real ou irreal? Qual é a imagem plástica de um nome? A apresentação do projeto é simples, o conteúdo não. As pessoas passarão a amar o Menossão? Depositarão seus desejos e carências em uma logo marca artística? Como se forma o mito na nossa sociedade?  Mitificamos tudo; pessoas, desejos, futuro?

Túlio Tavares

Anúncios

Uma resposta para “Menossão Textos”

  1. Yasbek!
    Peço licença aos grandes mestres e discípulos do Ocidente para manifestar minha grande emoção ao contar a todos vocês que pude conviver nas terras da Macedônia com Menossão por longos anos. Nosso ídolo iconoclasta, que prometeu nunca mais cultuar sua própria imagem, tornou-se, pasmem , semideus do Oriente Próximo: meio Deus, meio Menossi. Alçado a Astro Rei Césaro-Papista, vem nos últimos anos retomando seu poder em Bizâncio onde erigiu seu novo Império com súditos oriundos dos quatro cantos do mundo e com uma corte alexandrina das mais suntuosas. Assim, anuncio sua aparição breve em terras ocidentais onde promete ampliar seus domínios. Escrevo pois nossos mensageiros Djins nos relataram que captaram sinais de uma veneração intensa num país chamado Brasil. Emocionados com as mensagens e perplexos com a continuidade de seu culto na outra margem do Ocidente, aproveito este espaço para saudar a todos em nome Dele e confortá-los com a sua chegada nos tempos idílicos que vislumbramos. Salve Menossi! Salve a todos que preservam sua memória!
    Salamaleikon!

    Yadoá, o Sábio

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s