Túlio Tavares

FAVELA DO MOINHO

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Este

DEPOIS DOS TEXTO HÁ VASTA DOCUMENTAÇÃO EM FOTOS

Alguns artistas e coletivos que participaram do evento: Bijari, Coringa, Nova Pasta, Colectivo, Letícia Tonon, Zezão, Luciana Costa, Antônoi Brasiliano, Cristiana Arenas, Mariana Cavalcante, Zaca, Peetssa, Paulo Zeminian, Fabiane Mitsue, Lucas Hq, Gavin Adans, Chico Linares, Fabiane Borges, Rafael Adaime, Flavia Vivacqua, Mauro de Souza.

Arte contemporânea na favela do moinho
 
Em dezembro de 2004, outro evento de coletivos de arte e comunidade aconteceu, dessa vez na Favela do Moinho, a única grande favela do centro de São Paulo. O objetivo desse encontro, segundo Túlio era criar uma relação entre moradores da favela e a comunidade em geral pelo viés da arte se opondo radicalmente a práticas de higienização promovidas por alguns circuitos da arte pública como o evento Arte/cidade, que para instalar suas obras públicas se tornaram cúmplices da retirada forçada dos habitantes desses espaços. —Em 1997 a regiãodesta favela foi utilizada pelo Arte Cidade como espaço expositivo. — Na época órgãos públicos e privados expulsaram moradores, limparam , investiram milhões de reais e realizaram uma megae xposição de arte contemporânea. A exposição acabou, a Casa das Caldeiras que recebeu a outra m etade da exposição, foi restaurada com o patrimônio histórico e aregião do M oinho ocupada novamente como moradia por favelados.
Exú mensageiro:

From: Tulio Tavares To: traubis@ iis.com.br Sent: Monday, December 0 6, 20 0 4 2:54 AM S u bject: Arte e Cultura Contemporânea na Favela do Moinho

Aos aliad@s
 
Estamos propondo, nos dias 18 e19 dedezembro, um encontro entre a
População de favela e apopulação que mora fora das favelas de SãoPaulo.
Artistas, arquitetos e pessoas interessadas estão sendo convidados a conviver
Na única favelado centro dacidade, a Favelado M oinho, e junto com os
moradores valorizar o espaço físico e psicológico através de trabalhos de
arte.(…) Junte se a nós e questione estes istema opressor e excludente em quevivem os. Repasse este e-mail a amigos interessados. Confirme suap articipação nesta intervenção mandando um e-mail para (…) favela do moinh o-sub scrib e@yahoogrupos.com .b r obs: está é a mesma desestrutura que organizoua O cupação de Arte no Movimento dos Sem Teto ano passado.
 
Um dos motes conceituais desse evento foi pensado a partir da idéia de campos de concentração contemporâneos, um estado de terror imposto sobre os corpos pela centralização de capital e poder, que obriga os sujeitos alijados da partilha a construírem modos de vida e sobre/vida paralelos ao sistema de trocas do capitalismo oficial. Nessa época os g rupos que efetivamente apoiavam esse espaço eram a pastoral católica e o narcotráfico e esse paradoxo era sustentado pelo cotidiano doshabitantes da favela. Um outro motivo do evento foi pensar as criações de favelas como outro estilo de ocupação, diferentes dos movimentos sociais organizados que mapeiam os espaços de intervenção.

As favelas geralmente se dão de modo mais —natural, os grupos vão se aproximando de um espaço trazendo outras pessoas e vagarosamente o espaç o se torna um território plenamente habitado prescindindo, a princípio, de formas mais burocratizadas de organização, mas que sofrem como toda a ocupação a perseguição judicial e o caráter de ilegalidade.

Houve várias reuniões com os coletivos de arte, com a pastoral da ig reja católica e moradores da favela antes dos dias marcados para o encontro. Por fim nos dias 18 e 19 cerca de 150 pessoas foram ter com os domínios demasiados do Moinho e foram produzindo seus trabalhos coletivos conforme iam conectando-se a atmosfera temporal e espacial. Devido ao fato da comunidade não ser org anizada nos critérios já experimentados na Ocupação Prestes Maia, o clima não era tão acolhedor e os espaços internos das casas e das vidas foram pouco exploradas, no entanto o evento foi muito importante no sentido de ter possibilitado aos coletivos uma nova oportunidade de experimentar suas práticas, de colocá-las em questão, de aproximar circuitos e pessoas e de fazer as singularidades dessa ocupação ser em evidenciadas. Zonas de radicalidades existenciais.

Um dos trabalhos mais tocantes foi o do Esqueleto Coletivo, que instalou um tecido vermelho de 40 metros de comprimento encima do moinho, que caia sobre a favela como uma grande língu a vermelha, como uma grande bandeira de guerra. Ao ver a instalação tive ganas de subir até o moinh o… E fu i… E sentei sob re o v ermelh o… Menstruei fetos incorporais sobre a favela… Virei u m jorro de sangue, lubrificação e lágrimas. Alguns moradores se incomodaram com o tecido temendo que ele fosse confundido com algum estado de alerta enviado pelo P CC e mandaram que fosse retirado imediatamente, e assim foi.

A Favela do Moinho, até a data de conclu são desse texto vivia sob o risco de despejo, devido a liminar de reintegração de posse concedida aos proprietários. Algumas forças políticas estã o se mobilizando em cooperação. Entre elas, Mariah L eick do Comunas Urbanas que ajuda na criação da associação dos moradores da Favela do Moinho e em seu direito de lutar pelo espaço.

Fabiane Borges

O PROCESSO JÁ COMEÇOU, NINGUEM MAIS PODE PARA LO.
Estive o dia todo na favela, fui de casa em casa, me aproximei da comunidade, surgiu na minha frente nomes, histórias, relações, passado, amizade, comunidade, vidas muito semelhantes a minha, a relação se distanciou da pastoral, se tornou autônoma, teremos o apoio do espaço, da creche, da comunidade que por sinal está apoiando totalmente nossas ações.
Todos lá sabem que amanhã e domingo haverá cal em algumas cores disponível, e quem quiser pode pintar sua própria casa do jeito que quiser, a adesão foi em massa, disse que artistas estariam lá par ajudar.
A Mega gangorra legal do Zaca já está para ficar pronta e ser instalada, ele está tendo apoio do pessoal da escola de samba Leandro de Itaquera que tem o barracão na favela.
A Bijari levará uma piscina regan para a molecada brincar.
A Flávia levará as mudas de árvore para plantar, ela fez uma vaquinha e juntou algumas mudas de abacate e mexerica que estavam de bobeira no Colectivo.
A vaquinha da grana rolou, poderemos comprar o cal e alugar as caixas de som para o Peetssa tocar break beat, ele o próprio estará fazendo rapel amanhã durante o dia no silo central, montando a instalação de luzes com o Daniel.
Consegui com o próprio pessoal da comunidade uma TV Grande e o Vídeo Cassete para a mostra do brócolis e nós associados, que rolará provavelmente na creche.
Está tudo certo com a apresentação do grupo afro de percussão que tocará para orixás domingo as 5 da tarde, por acaso, eles ensaiam toda semana ao lado da favela.
O pessoal da camisa verde tocará no domingo as 3 da tarde, que por sinal é do lado da favela, junto com músicos da favela e músicos amigos nossos.
A Chris tá levando material de oficina para as crianças.
O EIA disponibilizou lambe-lambes, o Coringa disponibilizou lambe-lambes.
Conversei com os jovens descolados da comunidade que estarão dando apoio ao pessoal do grafite Zezão e Gordo, descobrindo locais estratégicos na favela para a ação rolar.
No domingo rola algodão doce para a molecada na instalação performática do Paulo.
A revista digita Anais está pronta e será lançada.
Uso de câmeras está totalmente liberado.
Eles são muito a fim de terem endereço.
Agora é hora de agir.
Umas das últimas frases que ouvi antes de sair de lá é que estávamos em casa.
Eu me sinto em casa.
Tulio

FOTOS MARIANA CAVALCANTE

 

 

4 Comentários »

  1. QUEM É O DONO DA FAVELA É OS MORADORES OU BANDIDOS

    Comentário por MORADOR — setembro 6, 2008 @ 5:13 pm

  2. Moro em um prédio próximo ao local…..hj vejo muitas ONG!s com discursos lindos em defesa do pessoal da favela do Moinho, mas certamente nenhum membro dessas ONG!s moram próximo à favela.
    O lugar está sujo, a região está degradada, o cheiro e sujeira na rua é terrível!!!!
    É fácil defender uma causa qdo o problema não está na porta de sua casa.
    Tenho consciencia da situação daquelas pessoas, inclusive começo algumas e são pessoas muito boas, mas tb tem muita gente que não presta. Certa vez um morado da favela me disse que a favela deveria ser retirada de lá….ele reclamava da sujeira feita pelos próprios moradores e disse que o pessoal só buscariam coisa melhor qdo a prefeitura retirasse eles de lá.

    Torço para que a prefeitura e o estado arrume um lugar melhor para esse pessoal, mas não serei hipócrita desejando que os mesmos continuem na região!!!

    Comentário por ecco homo — fevereiro 14, 2010 @ 12:00 am

    • Moro na Rua Conselheiro Nébias, bem pertinho da favela do Moinho. Nunca tinha entrado lá, mas devido a um evento realizado no dia 01/08/10 eu fui até lá, me disponibilizando a ajudar aquela comunidade no que fosse necessário. Só tive noção da extensão desta favela a hora que entrei lá. Muitas famílias ( hoje por volta de 4 mil pessoas) em situação muito precária, sem água principalmente.
      Realizamos um evento beneficente e arrecadamos alimentos e roupas que foram entregues a creche.
      Concordo com a opinião acima, acho que muitos falam e pouco fazem.
      A Prefeitura deveria arrumar um plano estratégico para dar moradia digna á todas aquelas pessoas.
      Como em todo lugar, existem pessoas bem e mal intencionadas. Pensemos naquelas de bem.

      Comentário por Tatiana Figueiredo — agosto 4, 2010 @ 10:03 pm

  3. A maioria trabalha na região central. Precisam morar no centro e a prefeitura quer retira-los sem proposta de moradia definitiva…tudo porque quer construir no local um terminal de trem da cptm, pois irá desativar a estação Julio Prestes para construir ali um polo cultural… Para a prefeitura a favela atrapalha um projeto seu… Não existe interesse social nenhum da prefeitura nas pessoas que moram na favela. As pessoas precisam de moradia no centro da cidade. E moradia digna!!! Mais importante que a nova estação de trem são as pessoas que moram ali. A Estação Julio Prestes é ótima e mudar o endereço da estação é só mais uma desculpa esfarrapada para retirar este povo que já sofre tanto…
    Porque a prefeitura não faz moradias decentes naquele mesmo local para quem já mora na favela?
    Trazer condições boas de saneamento e construir casas sem retirar o Povo dali é a melhor solução…

    Comentário por Ana Maria — setembro 21, 2012 @ 7:45 am


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