Por Ricardo Basbaum

    
   
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Muito interessante as falas ate agora. Queria agradecer o Túlio pelo convite, por este deslocamento desde o Rio ate aqui, foi um pouco tumultuado por causa desta chuva e enfim, eu acho que eu posso contribuir aqui para conversa.
Eu conheço o Túlio a algum tempo, agora este trabalho tive um contato só agora, esse projeto aqui no Sesc “O Rei Esta Nu”. Como eu conheço o Túlio a algum tempo e de certa maneira minha chegada até o trabalho foi permeada pelo que eu já conheço do trabalho dele, com a exposição eu tive um contato muito imediato, agora, realmente a duas horas atrás, fora algumas imagens que eu tinha recebido pela internet, eu tinha uma idéia do que seria, mas não tinha idéia do espaço físico, do conjunto todo e tal, então desde que eu cheguei aqui no Sesc, as sete da noite, eu fui tentando me aproximar, fiz algumas notas e tal e fico contente de ser o último, assim posso me apropriar das falas anteriores por semelhança ou diferença. O que realmente me chamou a atenção no projeto todo foi este furo no rei, esse buraco, eu depois de ficar indo e voltando ali pela calçada, tentando procurar algum ponto de contato com o trabalho, fui achando alguns, acabei me fixando neste furo, neste buraco e fiquei pensando porque todo este problema do conto, eu não conheço o conto original, eu só li este parágrafo que está ali na galeria, todo mundo conhece esta estória de ouvi falar, não li o conto original e porque disfarçar, porque este problema todo com este buraco, quer dizer, porque têm que ir alguém, aqueles possíveis artistas, aqueles tecelões, que trabalham com esta ilusão, seduzem o poder, o lugar do poder com algum tipo de ilusionismo e o lugar do poder esta interessadíssimo neste ilusionismo e acaba sendo seduzido e a arte sempre encena rituais em torno do poder, o tempo inteiro, pra longe ou pra perto, mas esta gravitando sempre de uma maneira estranha, curiosa, problemática e tal, então, têm de se disfarçar aquele buraco, quer dizer: não há como assumir aquele buraco, ta ali um ponto interessante nesta estória, o buraco tem de ser disfarçado pelas roupas, disfarçado pela melancia, quando ele aparece, ele não é assumido por este bufão, por este lugar do poder, por quem seja e realmente todo o conto dá pra perceber a dinâmica desta estória toda na fotonovela, quer dizer eu estou chegando ao conto mais pela fotonovela em torno deste furo, e eu gostaria de positivar este furo de alguma maneira, ali que alguma coisa pode acontecer através deste furo, desse corte, desse buraco e é por ai que a gente pode trabalhar uma inversão, um atravessamento qualquer, uma reversão, a perversão passaria por ai, por estes buracos, e é por ali que o poder pode ser desconstruido de alguma maneira, por que por ali que a gente poderia instalar algum tipo de prótese estranho a aquele corpo, a alteridade passaria por ai, algo que se instale ali, que hibridize com aquele corpo, existe ali toda uma gravitação em torno do furo. Quer dizer na fotonovela esse buraco está no rei, no bufão, no lugar do poder como todos já comentaram, e através do Túlio, quer dizer do meu contato com o Túlio, a distancia também, não só através dele, sempre encontrei o Túlio em situações em que ele me trás outras pessoas pra conhecer, pra encontrar, pra conversar ou que seja e quando ele me falou desta idéia do seu “Coletivo de Um Homem Só”, eu achei muito boa esta frase, está ali uma descontração deste lugar do poder, por um trabalho do Nova Pasta e do Zox e ai eu me aproximo dos coletivos a partir do momento em que estes Coletivos estão ai lançados, dentro do ambiente do circuito das artes, pra dentro do circuito , interfaces pra fora do circuito, mas estão ai pra de certa maneira, esta é minha entrada um pouco no mundo dos Coletivos, buscar outras formas de agenciamento dentro do circuito de arte para justamente construir outros núcleos de poder, de afirmação de um poder, de fazer alguma coisa, de poder intervir, de poder produzir alguma outra coisa que não está simplesmente, passivamente, a mercê do poder hegemônico, dos poderes hegemônicos deste circuito, então meu contato com esse Coletivo de Um Homem Só através destas ações incessantes de aglutinar pessoas numa dinâmica muito acelerada, pra de alguma maneira buscar estratégias de afirmar certas práticas de linguagem, certas poéticas, certos percursos, que escapam pelas franjas de um circuito hegemônico e que de uma alguma maneira não deixa de ser uma gravitação em torno de um poder, a gente tem de pensar não mais em um poder centralizado, único, central, que agente vai tomar simplesmente, mas outros poderes nestas franjas que vão aglutinando outros percursos, outros fluxos, então, de alguma maneira esta roupa dos tecelões que se mostra invisível, ela é tão invisível quanto este furo, ela, de certa maneira, pode ser uma estratagema não para ocultar, mas para mostrar cada vez mais ou para produzir de maneira ácida este corte, pra instalar ali estes Dispositivos, Próteses, para outros agenciamentos e o Rei, na verdade, não esta entendendo absolutamente nada como um Bufão qualquer que esta ali comendo chocolate, rindo, olhando as mulheres cheias de volúpia que passam em um quadro ali dentro da fotonovela, projetando e construindo sua imagem socialmente e tal, mas de alguma maneira não esta entendendo nada, no sentido de que ele não tem nenhuma preocupação quanto a isto e este furo um pouco a sua revelia e ele não sabe o que fazer, bota a melancia, coloca uma roupa, é um incomodo, mas é por este furo que de alguma maneira se destrói este lugar e se constrói outro, se atravessa uma superfície pra se chegar em algum outro lugar de certa maneira ou produz uma intervenção que não se tratou de construir um lugar de poder em outro reino e vamos todos praquela comunidade ali e atravessar o monarca como uma estratégia para dissolve-lo de certa maneira e monitora-lo ou abita-lo, contamina-lo de alguma maneira com um dispositivo que é outro em relação a este monarca e que talvez possa tomar conta do corpo inteiro ou gerar outros processos e tal, então a fotonovela fala em linguagem de sátira, humor que é uma estratégia recorrente para minar, para sabotar este lugar do poder sério e hegemônico e esse bufão, esse rei ri, mas meio sem graça, ele não tem uma risada, um riso pleno, mas uma risada sem graça meio sem jeito, enfim há um desconforto ali também e de certa maneira quando a gente esta na galeria, a galeria esta ocupada ali pelos objetos dos tecelões e pelos objetos do rei, de certa maneira ali a estratégia da costura que descostura, da máquina que não costura nada e que revela, que produz esse furo, ta ali de certa maneira encenada, tem os objetos rituais do rei, os adereços que me lembraram que de cera maneira estão construídos ai, dispostos como adereços de carnaval, o cetro , aquela coroa e agora a fotonovela, a atração principal, a narrativa que vai de alguma maneira movimentar estes objetos que estão dentro da galeria, uma das narrativas ou anti-narrativa, ou que seja, mas enfim, a gente é  forçado, neste confronto com estas imagens e com aqueles objetos, a construir algum tipo de conexão com aquelas coisas, produzir algum sentido ali, que nos desloque pelo espaço, é interessante que o fato das imagens que estão voltadas pra rua e agente da galeria olha a fotonovela e não vê nada só vê o lado opaco, e de certa maneira é um anti-vitral  porque a luz atravessa onde não esta este vitral, achei interessante a sugestão, houve um momento em que eu me aproximei do vidro para ver alguma coisas através do vidro ali da avenida paulista, as luzes e eu vi que pra quem estava andando pela rua, eu podia ser uma dos personagens da fotonovela junto daqueles outros, porque o vidro favorece isso, favorece que os visitantes da exposição de alguma maneira sejam incorporados naquela historia, quando a gente chega perto do vidro e fica parado ali, então enfim tem este voltar para fora da galeria, quer dizer; você entra na galeria e vê coisas por traz, de certa maneira também é um furo na galeria,  é um pouco a estratégia de furar né? De buscar, de cortar, atravessar, um lugar para atravessar, há uma inversão do lugar galeria, já foi colocado aqui, quer dizer a gente entra e se sente excluído de algo que ta sendo colocado pra fora e é claro que isso se conecta com diversas destas estratégias de Coletivos de ir pra rua, isso é, enfim diversas movimentações durante o século XX século XI e tal, das mais interessantes, elas o tempo inteiro assumem um confronto contra este lugar da arte como lugar hegemônico, estável, da mesmice, muito submissa a certo poder hegemônico e procura inverte-lo com adjetivações como não arte, anti-arte ou o que seja, e os Coletivos também desempenham este papel quando procuram desmontar este artista que não é o único e tal, e fazem estas ações em busca de outros percursos, em busca de outros segmentos, que podem se relacionar de maneira ou de outra com este lugar da arte, e o Túlio quando cheguei aqui não encontrei, fiquei andando pelo espaço, quando eu consegui chegar aqui no auditório, fui encontrando as pessoas, fui ao banheiro e entrei no auditório, vejo o Túlio sentado aqui, vestido da mesma maneira, caracterizado da mesma maneira que Os Ratinhos e eu já tinha pensado que realmente o Túlio era aqueles ratinhos e esse Coletivo de Um Homem Só me lembrou muito esta colônia destes ratos, de uma estratégia mesmo quase que de um coletivo de animais né? Enfim que pra nosso olhar humano são todos iguais, se agente ver dez ratos não consegue ver diferença, vê um formigueiro e não vê nenhuma diferença nas diversas formigas, castas e tal, mas então, é interessante, seria possível uma outra leitura assim, né? Um passeio que eu fiz com o Túlio rápido ali pela vitrine, ele foi me identificando, cada um dos atores, dos Performers ali e de certa maneira de alguma relação entre os papeis as suas atuações, e enfim esses Siluetizadores me pareceram realmente esta inserção mais intelectual, alguém que não tem um lugar muito claro é de certa maneira está problematizando aquele conjunto da narrativa, é obvia esta leitura, as ligações estão muito claras na fotonovela tanto com a Ligia Clark quanto ao Helio Oiticica né? Na plebe, enfim, na figura feminina, O Lixo Transrelacional, naquelas pedras e tal, esse Parangolé do Parangomonstro, enfim, são referencias que dariam para gente abrir em um outro lugar, e aí eu não tenho tanta proximidade pra falar dos Performers, ai eu já falaria muito de fora, e precisaria assim conversar mais. Bom, esse é meu contato aqui com esse evento, eu achei interessante também é que o evento parece proposto pelo Nova Pasta e pelo Zox como evento coletivo, eu acho que ele tem esse tom mesmo de uma ação coletiva, de produzir de alguma maneira essa corrosão, estes furos e tal e é essa minha contribuição para a conversa. 
         

Clique Clique sobre a imagem e visite virtualmente a exposição, quando a janela seguinte abrir clique novamente sobre ela, siga na horizontal da mesma forma que estava na Avenida Paulista nas vidraças do SESC ou siga na vertical e veja a exposição dividida por cenas.

Nova Pasta e ZOX

 

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